Janelas de Oportunidades destaca avanços no atendimento ao autismo no Piauí

Janelas de Oportunidades destaca avanços no atendimento ao autismo no Piauí


O segundo episódio da série “Janelas de Natal” traz o cotidiano de serviços públicos e instituições voltadas ao atendimento de pessoas com neurodivergências. Intitulado “Janelas de Oportunidades”, a reportagem acompanha o trabalho desenvolvido no Centro Especializado de Atendimento às Pessoas com Autismo (CETEA) e no Instituto Federal do Piauí (IFPI).

Mitos e Verdades sobre Autismo

A neuropediatra Maria do Socorro Melo responde dúvidas semanalmente sobre autismo que, muitas vezes, fazem parte do dia a dia e nem sempre consegue uma explicação clara. 

  • É verdade que autistas não querem contato social?

NEM SEMPRE!

“O problema é que isso pode ser desenvolvido com as intervenções precoces. Ele nasce com as redes neurais diferentes e ele tem dificuldade de acessar a intenção do outro através dos olhos, dos gestos. E também de acessar o seu sentimento”.

  • O autismo tem cura?

NÃO. O autismo não tem cura, é para o resto da vida.

“O autismo pode ser melhorado num nível tal que aparentemente saiu do espectro. Mas não saiu, fica alguma coisinha. Mas ele pode chegar a trabalhar, a se desenvolver bastante, a fazer tudo o que as outras pessoas fazem, com as suas peculiaridades individuais. Ele pode chegar a trabalhar, a se desenvolver bastante, a fazer tudo o que as outras pessoas fazem, com as suas peculiaridades individuais”, explica a médica esclarece a neuropediatra Maria do Socorro Melo.

Janelas de Oportunidades

Foto: Gabriel Paulino

No Centro Especializado de Atendimento às Pessoas com Autismo (CETEA), em Teresina, o cuidado acontece “em cada gesto, cada som e cada toque”. O local foi criado para reunir, em um único espaço, diferentes profissionais e abordagens terapêuticas para quem vive com autismo.

O primeiro passo para chegar ao CETEA é pela atenção primária: no posto de saúde da família faz a solicitação de triagem da enfermagem e pedido de encaminhamento para o centro.

Inaugurado em julho deste ano, o Centro já ultrapassou 7.700 atendimentos, recebendo famílias de várias cidades do Piauí. Algumas passam o dia inteiro no local, onde há inclusive um espaço com camas, micro-ondas e TV para acolher quem precisa esperar entre uma terapia e outra.

Lindalva Maria, mãe do pequeno Vicente, disse que depois de três anos na fila de espera, conseguiu encaminhamento para um centro especializado e, desde então, celebra conquistas importantes.

“Ele começou a chamar ‘mamãe’ agora, aprendendo a falar as primeiras palavras por causa do acompanhamento com a fono”, conta emocionada.

Acompanhamento rigoroso e apoio às escolas

Os profissionais do centro explicam que, no autismo, tudo passa pela regulação emocional e sensorial. O CETEA acompanha o comportamento das crianças não apenas nas terapias, mas também nas escolas. Relatórios, visitas pedagógicas e análises comportamentais fazem parte da rotina para garantir que o atendimento aconteça de forma integrada.

“Precisamos entender se o que a mãe relata corresponde ao que acontece na escola. É uma observação cuidadosa de tudo o que pode gerar estresse ou insegurança”, explica uma das terapeutas. 

No local também há um atendimento odontológico diferenciado. A dentista Alana Oliveira revela que, para crianças autistas, a primeira consulta não envolve procedimentos invasivos. Antes de qualquer ação, ela apresenta os instrumentos, simula barulhos, permite que a criança toque nos equipamentos e realiza atividades lúdicas com brinquedos e bonecos.

“Se o paciente entende que aqui é um espaço de brincadeira, ele perde o medo. Cada criança tem seu jeito e a gente se adapta a ele”, explica Alana. 

O consultório usa recursos visuais, brinquedos temáticos, televisões e técnicas lúdicas para tornar o ambiente menos assustador, uma estratégia que vem funcionando bem com os pequenos atendidos.

As câmeras também mostram um ambiente sensorial repleto de telas interativas, instrumentos musicais, recursos de coordenação motora e até piscina de bolinhas usada para regulação emocional. Quando a criança entra em crise, luzes, sons e estímulos são ajustados para promover bem-estar e reduzir o desconforto.

Esses espaços favorecem habilidades cognitivas, motoras e sociais — tudo de forma leve, planejada e personalizada. 

Inclusão no ensino

No Instituto Federal do Piauí (IFPI) funciona o núcleo responsável pelo acompanhamento de estudantes com necessidades específicas, incluindo autismo, deficiências, altas habilidades e transtornos de aprendizagem. O grupo acompanha o estudante desde a matrícula até a conclusão do curso, garantindo acessibilidade, adaptações e suporte pedagógico.

O estudante de Engenharia Mecânica, Enzo, diagnosticado com autismo leve (Asperger), conta que quase desistiu no início do curso devido às dificuldades de concentração e memória.

“Mas continuei tentando. Minha mãe me incentivou e eu consegui”, afirma.

Para ele, monitorias, adaptações e o apoio pedagógico foram essenciais para permanecer no curso. Professores destacam que trazer exemplos práticos da área dele facilita o aprendizado e fortalece a autonomia.

Janela da Esperança 

As famílias acompanhadas pela AMA-PI abrem as janelas para deixar ecoar aquilo que mais precisam. Duas mães falaram o que mais querem que a sociedade proporcione aos seus filhos.

“Eu sou Itatiane, eu abro a janela para que as pessoas tenham mais empatia com os autistas”. 

“Meu nome é Maria do Desterro, esse é meu filho Anderson. Eu abro a janela para mais dignidade, respeito e possibilidades de atendimento e tratamento e melhoras para a vida dos autistas”, destaca.

Redação

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