Recife: convivência, cultura e lazer em espaços históricos

Recife: convivência, cultura e lazer em espaços históricos

Áreas urbanas de importância histórica no Recife passam por um processo de transformação, com ocupação e preservação dos espaços e melhoria da qualidade de vida

Nos últimos anos, a capital pernambucana vem transformando espaços que fazem parte do passado em novas áreas urbanas de intensa atividade de convivência e de turismo. Esses locais ajudam a movimentar a cidade ao mesmo tempo que mantêm e propagam a tradição recifense.

Na nova forma de ocupar a parte histórica da cidade, destaca-se a movimentação atual em alguns pontos da área central.

As localidades que marcaram a trajetória do Recife nos quase 500 anos de existência, como o Bairro do Recife e a Rua da Aurora, estão sendo vivenciadas pelos recifenses e turistas.

De acordo com o arquiteto e urbanista Francisco Cunha, espaços abertos ao público, de preferência em áreas históricas da cidade, são fundamentais para uma melhor qualidade de vida.

“As pessoas voltaram às ruas após a pandemia. Isso é que faz uma cidade feliz. Quanto mais e melhor forem as ofertas de serviços essenciais e de lazer, melhor é a qualidade de vida da cidade, uma vez que o espaço público de qualidade aproxima as pessoas e diminui as diferenças sociais”, destacou o especialista e sócio da TGI Consultoria.
 
Bairro do Recife
O professor de história Gabriel Duarte tem uma ligação forte com o Recife, especialmente com os bairros de Afogados e Boa Vista. Ele recorda que a visão de valorizar o Centro da cidade vem desde a infância, quando num passeio escolar visitou todas as estátuas existentes no circuito dos poetas.

“Eu acho muito interessante como o Recife se relaciona com a memória, de como muita gente conhece ao menos um pouco sobre a história de sua cidade e isso por si só é lindo para quem gosta de história e trabalha com isso”, afirmou. 

Segundo o professor, o Recife se torna uma cidade viva a partir do momento em que isso acontece todos os dias, seja no Centro ou na periferia, com as pessoas se relacionando no comércio, no trabalho, na educação, nos shows.

Gabriel considera a movimentação no Bairro do Recife como um modelo de boa ocupação da cidade.

“Se considerarmos o Recife uma grande fonte histórica, é importante que nossos espaços históricos sejam ocupados e preservados. Eu acho muito interessante a forma como o Bairro do Recife está sendo utilizado atualmente. Atende uma demanda de empresas de tecnologia, mas também atende a uma necessidade de cultura que a cidade tem”, analisa.
 
Aurora

Integrante do coletivo Aurora de Estrelas, que desenvolve projetos e ações artísticas com pessoas em situação de vulnerabilidade social, o artista do Sagrado AJ Romani ressalta a relação com outro ponto importante do Recife: a Rua da Aurora.

O coletivo do qual AJ Romani é um dos coordenadores teve início justamente na Rua da Aurora. Um dos pontos de ação efetiva era a exibição de cinema ao ar livre próximo à pista de skate.

“A Rua da Aurora e o Centro do Recife são espaços vivos de memória. Há uma mistura de passado, infelizmente também do abandono, tem a beleza e agora a reinvenção que interessa qualquer artista. É da cidade do Recife que eu acabo tirando a cor, textura, dor e beleza. Ser artista no Recife é aprender a transformar a resistência em linguagem. Eu tento carregar isso em cada obra minha. Recife é um amálgama cultural”, afirmou AJ Romani.
  

Ao analisar projetos de ocupação para o Centro do Recife, o especialista Francisco Cunha pontua o que acontece na Rua da Aurora.

A área à margem do rio Capibaribe dispõe de espaços voltados a diversas atividades com quadra poliesportiva, pista de skate, além das ações culturais como a Feira da Aurora.

“Um exemplo de recuperação foi na Rua da Aurora. A implantação da feirinha é um sucesso”, completa Francisco Cunha. 

Mercados 
Outro ponto de destaque no Recife são os tradicionais mercados públicos. O Mercado da Boa Vista, no Centro da cidade, é um desses exemplos da adaptação às novas formas de ocupar os espaços. Assim como outros da cidade, o local passou por requalificação e transformou-se em um polo gastronômico e de interação entre as pessoas.

Quem acompanhou e segue presenciando as mudanças do Mercado da Boa Vista é Leleu. Nascido em Limoeiro, ele passou a morar no Recife ainda na infância e tem o mercado como a sua casa há mais de 50 anos.

“A gente morava na Caxangá, mas todo dia eu vinha para cá com papai. Eu fui o único dos filhos que ficou direto no Mercado da Boa Vista. Não tive outro emprego. Quando eu morrer já falei que quero que minhas cinzas sejam jogadas em frente ao meu box para ficar observando tudo”, brincou.

Atualmente, Leleu administra um dos mais de 60 boxes do Mercado da Boa Vista. O Recanto do Leleu fica localizado no espaço mais visitado aos finais de semana para curtir uma boa gastronomia e música ao vivo. 

Ainda é possível comprar frutas, verduras e frios, mas passar um momento de lazer com a família e amigos se tornou um diferencial.

“São duas coisas diferentes. Antigamente era mais ativo como mercado, em que se tinha de tudo. Atualmente, mudou muito, mas o Mercado da Boa Vista segue. Nos finais de semana, os bares estão cheios e ninguém pode reclamar. Virou um aspecto cultural que as pessoas vêm para se divertir. Esse legado nunca vai deixar de existir”, disse Leleu. 

Redação

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