Governo de Pernambuco abre ciclo de exposições na Torre Malakoff com entrada gratuita a partir de junho

Governo de Pernambuco abre ciclo de exposições na Torre Malakoff com entrada gratuita a partir de junho

O Observatório Cultural Torre Malakoff, gerido pelo Governo do Estado por meio da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), abre nesta quinta-feira (4) um novo ciclo de exposições. O projeto Entremeios reúne três mostras individuais: dos artistas Renato Valle, que completa 50 anos de carreira em 2026, Gustavo Pimentel e Carolina Drahomiro. Os trabalhos têm propostas e técnicas diferentes, mas convergem no tema da memória. A visitação vai até 16 de agosto, com entrada gratuita.

Em sua primeira edição, o Entremeios foi criado para reunir públicos de perfis distintos. “Com essas três mostras tão diferentes entre si, proporcionamos às pessoas uma experiência que permite o aprendizado do olhar. A Torre Malakoff é um observatório cultural, então a ideia é criar, para os visitantes, experiências a partir dessa proposta. Não há muitos equipamentos públicos com esse perfil, então queremos explorar isso ao máximo”, diz a gestora da Torre Malakoff, Carol Chaves Madureira.

O Entremeios acolhe, em geral, exposições incentivadas por editais públicos, como os da Lei Paulo Gustavo, do Funcultura ou da Lei Aldir Blanc. “A Torre Malakoff é um espaço aberto a essas propostas, e existe uma curadoria para recebê-las”, afirma a gestora.

“Crônicas do Recife Antigo”, de Renato Valle, reúne 20 desenhos a grafite. As imagens mostram tanto o Carnaval quanto pessoas em situação de rua e propõem uma discussão política sobre a ocupação do bairro, um dos principais cartões-postais da capital pernambucana. Por vezes, as cenas se resumem a pessoas, animais e símbolos sociais. O trabalho começou em 2015 com foco no Carnaval do Recife Antigo e foi concluído recentemente como um conjunto de crônicas visuais sobre o espaço. A mostra debate questões sociais que remontam à formação do país.

“Essa série é muito ligada à questão política, porque ela revela o fracasso do modelo de sociedade que nós criamos. Nós criamos um modelo de sociedade perverso, excludente; desde o início da formação desse país é assim. Isso me incomoda demais. Não acredito que o trabalho vá mudar as pessoas, mas ele provoca discussões a respeito do assunto”, afirma Renato Valle.

Paisagens e vida também estão presentes em “Vereda interior”, primeira individual de Gustavo Pimentel, incentivada pela Lei Paulo Gustavo. A exposição reúne 136 fotografias feitas ao longo de aproximadamente 20 anos em viagens pelo Sertão pernambucano, em cidades como Ouricuri, Salgueiro, Carnaíba e Triunfo. A memória aparece de forma sutil: não há indícios evidentes da passagem do tempo, que se revela nas mudanças de sensibilidade do artista ao retratar luzes, cenários e moradores sertanejos. A curadoria é de Mateus Sá.

“A fotografia me acompanhou por um longo tempo — se não me engano, mais de 18 anos. Essa coisa de você crescer junto com a fotografia, em uma evolução que é uma coisa só, isso se mostra nas imagens mais pela técnica do que pela representação, que é atemporal, na essência”, diz Gustavo, que venceu duas vezes o Prêmio Pernambuco Nação Cultural (2011 e 2012).

Já a artista Carolina Drahomiro partiu de um episódio familiar para construir a mostra “Hoje eu subi numa pilha de livros para estar à sua altura”. O projeto teve incentivo do Funcultura e orientação de Beth da Matta.

Segundo a família da artista, a avó materna de Carolina subiu em uma pilha de livros para tirar a foto de casamento. A história foi transmitida por parentes que não presenciaram a cena. A lembrança não foi vivida diretamente, mas marca a trajetória da família, o que levou Carolina a trabalhar com o conceito de pós-memória. O termo foi cunhado por Marianne Hirsch e discute o papel de reminiscências na vida de quem não as viveu, mas as herdou.

A partir dessa história, a artista celebra a desobediência de mulheres com ferramentas historicamente associadas a elas. A mostra tem 40 trabalhos entre instalação, desenho, videoperformance, colagem e fotografia.

“Eu percebi que era importante trazer essa história, partir de uma coisa que é vivenciada no meu íntimo para um campo mais coletivo”, explica a artista, ressaltando que deseja tocar especialmente as mulheres que visitarão a mostra. “Não só tocar: eu quero que elas adentrem; na verdade, eu quero que elas se percebam nessa realidade”, completa a artista.

Com três edições já realizadas, o edital Observa foi criado para mapear novos artistas e abrir espaço para mostras individuais. A cada edição, são concedidos cinco prêmios. Como a maioria dos inscritos são artistas contemporâneos, o edital tem dado visibilidade ao mercado de arte e transformado a Torre Malakoff em vitrine da cena artística contemporânea do Estado.

O projeto Entremeios reúne exposições diversas que ocupam a Torre ao mesmo tempo. Dedicado à variação de linguagens e poéticas artísticas, ocorre entre as edições do Observa. É uma seleção curatorial feita pela gestão do equipamento e pela Gerência de Ações Culturais da Fundarpe, a partir de projetos incentivados por editais como Funcultura, Lei Paulo Gustavo ou Lei Aldir Blanc.

TORRE MALAKOFF – Espaço consolidado de exposição da arte contemporânea em Pernambuco, a Torre Malakoff é um equipamento cultural gerido pela Fundarpe e localizado no Bairro do Recife, área tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A edificação foi construída no século XIX, com materiais provenientes da demolição do Forte do Bom Jesus, para servir como observatório astronômico e portão monumental do Arsenal da Marinha. O caráter militar da Torre está presente em sua fachada e na simetria de sua planta, que também lembra a arquitetura das mesquitas.

Em 2000, a Torre foi transformada em espaço cultural, com destaque inicial para música e fotografia. São oito salas de exposição, além de espaços educativos e administrativos. Na área externa, há um anfiteatro para eventos.

SERVIÇO – As exposições “Crônicas do Recife Antigo”, “Vereda interior” e “Hoje eu subi numa pilha de livros para estar à sua altura” abrem na quinta-feira (4 de junho) no Observatório Cultural Torre Malakoff, na Praça do Arsenal da Marinha, s/n, Bairro do Recife. A entrada é gratuita. A visitação ocorre de terça a sexta-feira, das 10h às 17h, e aos sábados e domingos, das 14h às 18h. Informações pelo telefone (81) 3184-3180.

Redação

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