IA desenvolvida na Paraíba ajuda a identificar TEA e TDAH em adolescentes da rede pública
Apenas 15% das escolas contam com psicólogos e plataforma surge para detectar sinais de neurodivergências e provocar encaminhamento a profissionais
A lei 13.935/2019 obriga a presença de psicólogos na rede básica de ensino desde o ano de 2020. Mas, na prática, como é corriqueiro no Brasil, a efetivação acontece em ritmo muito distante do esperado. A prova está na seguinte estatística: só 15,7% das escolas públicas brasileiras contam com esses profissionais, de acordo com o Censo Escolar do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). Isso significa dizer que, a permanecermos neste ritmo, levaríamos absurdos 30 anos para cumprir a legislação. Mas em tempos de inteligência artificial e muitas sturtups em atividade, não demoraria para alguém pensar em uma solução para melhorar o cenário. Foi o que a sturtup paraibana sediada em João Pessoa, a Zenith Tech, fez ao criar a NeuroAtiva, plataforma digital que realiza um apoio a professores, psicólogos e gestores escolares na identificação precoce de neurodivergências.
A plataforma é voltada a adolescentes de 11 a 17 anos e funciona em três módulos integrados. O primeiro possui um jogo de autoconhecimento emocional. A segunda parte vem com uma triagem supervisionada por psicólogo, com instrumentos clinicamente validados (SDQ e SNAP-IV). E o último módulo oferece uma ferramenta para registrar sinais que podem indicar TEA, TDAH, dislexia ou sofrimento emocional, utilizando o método PAIQUE. Quando os sinais apontam para alguma neurodivergência, o sistema sugere encaminhamento à Rede de Atenção Psicossocial do SUS (RAPS). E é possível, ainda, em nome da inclusão, gerar versões com avaliações para diferentes perfis de aprendizagem. A NeuroAtiva está em Português e foi desenvolvida em cooperação técnica com o LASER/UFPB e o NUTES/UEPB (Unidade EMBRAPII).

A sócia-diretora da Zênite Tech, Melissa Leão, explica que o foco está nas prefeituras, responsáveis por centenas de escolas, onde a escassez de psicólogos é um problema crônico. “Quando uma prefeitura nos procura, ela não está buscando tecnologia, está buscando uma saída real para um problema que cresceu além da capacidade da rede. O NeuroAtiva chegou num momento em que as obrigações legais tornaram a omissão insustentável. O que a plataforma oferece não é um atalho, é uma forma organizada de começar, de mapear a realidade de cada escola e de construir processos que antes simplesmente não existiam”.
Ricardo Leão, também sócio-diretor da Zênite Tech, reforça a força da ferramenta como um apoio e nunca uma alternativa a professores e psicólogos. “Nós já trabalhávamos com diversas escolas, públicas e privadas, e percebemos uma mesma dor em todas: a obrigação legal de incluir, de ter profissionais dedicados, sem ter estrutura para isso. Apresentamos o NeuroAtiva na Bett 2026, em São Paulo, o maior evento de Inovação e Tecnologia para Educação da América Latina, no mês passado, e a receptividade foi grande. A tecnologia entra para apoiar o professor e o psicólogo, nunca para substituí-los”, garante Leão.
Uma informação que a equipe insiste em lembrar é que a NeuroAtiva não emite diagnóstico. A IA aponta padrões que indicam a necessidade de uma avaliação profissional mais aprofundada. Assim, não tem capacidade de substituir o profissional da psicologia nem a equipe pedagógica. A plataforma também trabalha em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), inclusive sem coleta de biometria.

