Casa da Cultura celebra 50 anos como símbolo de memória e difusão cultural em Pernambuco

Casa da Cultura celebra 50 anos como símbolo de memória e difusão cultural em Pernambuco

Mais de 100 lojas de arte e artesanato, teatro, anfiteatro, dois painéis de Cícero Dias, feira agroecológica às sextas-feiras e uma extensa programação de apresentações culturais e oficinas ao longo do ano marcam a trajetória da Casa da Cultura Luiz Gonzaga, que completou, no último dia 14 de abril, 50 anos. Gerido pelo Governo do Estado, por meio da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), o local funciona como um importante centro de difusão da cultura pernambucana. Com forte vocação turística, também oferece atividades para os recifenses e se firma como um espaço de convivência na área central da capital pernambucana.

“A Casa da Cultura é um dos maiores símbolos da capacidade de ressignificação do nosso patrimônio. Um espaço que, por muitos anos, foi um presídio e hoje se transformou em lugar de encontro, criação e valorização da cultura pernambucana. Ao completar 50 anos como centro cultural, reafirma seu papel como um equipamento vivo, que conecta tradição e contemporaneidade, fortalece a economia criativa e amplia o acesso da população às diversas linguagens artísticas”, ressalta a vice-presidente da Fundarpe, em exercício, Lidiane Pessoa.

Próxima a importantes construções históricas, como o Museu do Trem e a Ponte 6 de Março (Ponte Velha), a Casa da Cultura tem no comércio de artesanato sua principal vocação, mas também reúne atrações que ampliam o público. A programação inclui ações da Fundarpe nos ciclos carnavalesco, junino e natalino, com atrações de todo o Estado, além de cursos e oficinas de renda renascença, upcycling e danças populares. O edifício também recebe atividades de programação livre na Sala Jota Soares, no Palco Nelson Ferreira (anfiteatro) e no Teatro Clênio Wanderley, com artistas e grupos que utilizam os espaços mediante solicitação à administração.

“Tanto os ciclos e as formações oferecidos pela Fundarpe quanto os eventos agendados por agentes externos contribuem para a formação de plateia em diversas linguagens e para a visibilidade do equipamento, consolidando a Casa como um espaço de cultura e lazer para todo o Estado, já que grupos de várias regiões de Pernambuco a ocupam regularmente”, explica a gestora da Casa da Cultura, Jaqueline Araújo.

Comercialmente, o fluxo de turistas fortalece o espaço, especialmente durante a temporada de cruzeiros, que ocorre de outubro a abril e garante um alto volume de visitantes. “Tenho essa loja aqui, primeiramente, por valor sentimental, porque era do meu pai e agora eu e minha família cuidamos, mas isso só é possível porque também dá retorno financeiro, claro”, explica a lojista Magali Costa, que conduz a Galeria Régis (na cela 102, raio sul do prédio) com o marido, Alexandre. Aberto desde 1976, o espaço foi inicialmente administrado pelo pai dela, o artista plástico Régis Loureiro, e comercializa telas e suvenires. Foi na Casa da Cultura que ela e o marido se conheceram. “Eu e alguns amigos produzíamos apresentações musicais aqui, e um dia a vi na frente da loja”, lembra Alexandre.

Além de lojas, restaurantes, lanchonetes e dos espaços já mencionados (Teatro Clênio Wanderley, Palco Nelson Ferreira e Sala Jota Soares), o local também abriga as sedes de algumas associações, como a Associação Pernambucana de Anistiados Políticos (APAP) e o Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão (SATED).

HISTÓRIA – Antes Casa de Detenção do Recife, o espaço foi projetado pelo arquiteto José Mamede Alves Ferreira. Foi oficialmente inaugurado em abril de 1855, ainda incompleto, tendo suas obras concluídas apenas em 1867. Sua construção, em forma de cruz, segue o modelo em voga na Europa, de estilo panóptico, que permitia a vigilância de todos os corredores de celas a partir de um ponto central. Entre os encarcerados célebres que passaram pelo local estão João Dantas (assassino de João Pessoa, então governador da Paraíba), Miguel Arraes, Gregório Bezerra, Francisco Julião, o cangaceiro Antônio Silvino e o escritor Graciliano Ramos.

A transformação da penitenciária em centro cultural foi idealizada pelo artista plástico Francisco Brennand, então chefe da Casa Civil do Governo do Estado, durante a primeira gestão de Miguel Arraes (1963–1964). A iniciativa, no entanto, foi interrompida pelo golpe de 1964. Felizmente, a ideia não se perdeu e acabou sendo retomada anos depois por outros profissionais. A Casa de Detenção foi desativada em março de 1973, na gestão do governador Eraldo Gueiros, após quase 120 anos ininterruptos de uso carcerário. O espaço foi reaberto como Casa da Cultura em 14 de abril de 1976, no governo de Moura Cavalcanti, a partir de projeto de restauração dos arquitetos José Luiz da Mota Menezes e Fernando de Barros Borba. O restauro foi concluído no ano seguinte.

As mais de 110 celas do edifício, divididas em 3 blocos chamados de raios, ocupam o térreo e mais dois andares. Atualmente, elas abrigam lojas, lanchonetes, restaurantes, sedes de associações e a administração do prédio, além do Teatro Clênio Wanderley, da Sala Jota Soares e da reserva técnica do Museu da Imagem e do Som (Mispe). Na área externa, há o anfiteatro. Por sua importância histórica, a Casa da Cultura foi tombada como Patrimônio do Estado em 1980. Também abriga o painel Frei Caneca, de Cícero Dias, feito em 1982 e dividido em duas partes, que representa a Revolução de 1817 e a Confederação do Equador (1824).

ESPAÇOS – A Sala Jota Soares, o Teatro Clênio Wanderley e o Palco Nelson Ferreira estão com agenda aberta para eventos no 1º semestre de 2026 (palestras, oficinas e espetáculos). As solicitações devem ser feitas pelo e-mail casadacultura.pe@fundarpe.pe.gov.br. Para o 2º semestre, haverá chamamento público. Projetos que concorrem a editais, como Funcultura e Lei Paulo Gustavo, podem solicitar carta de anuência, mediante análise.

VISITAS – Visitas guiadas devem ser agendadas pelo e-mail casadacultura.pe@fundarpe.pe.gov.br ou telefone 3184-3152. A visitação é livre, mas o guia é oferecido apenas mediante solicitação prévia. Em 2026, mais de 500 estudantes já visitaram o local. O espaço também conta com feira agroecológica às sextas-feiras, das 7h ao meio-dia, na área externa.

Redação

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