Governo do RN licita áreas comerciais na Rampa

Governo do RN licita áreas comerciais na Rampa

O Governo do Rio Grande do Norte, por meio da Secretaria de Estado da Administração, publicou um aviso de licitação para concessão onerosa de áreas destinadas à exploração comercial no Complexo Cultural Rampa, em Natal. Os espaços poderão receber restaurante, bistrô, café e máquinas de autoatendimento. A abertura das propostas está prevista para 17 de agosto.


O edital, publicado em 24 de julho, inclui dois lotes independentes. O primeiro, com prazo de vigência contratual de 10 anos, contempla a concessão de uma área de 291,68 m², destinada ao funcionamento de um restaurante, bistrô e café, com aluguel mensal mínimo de R$ 8.070,00.


Já o segundo, com prazo de 3 anos, contempla até 17,10 m² para a instalação de até cinco máquinas de autoatendimento de alimentação e bebidas, com aluguel mensal mínimo de R$ 860,00. Enquanto durarem as contratações, o orçamento global mínimo deve ser, portanto, de R$ 999.360,00.


Segundo as informações do projeto, o café/restaurante ficará situado no início do prédio do museu e será composto por duas áreas internas, sendo térreo e primeiro andar, e uma área externa, localizada no deck. As cinco máquinas ficarão dispostas no espaço do complexo cultural.


“As futuras concessionárias deverão adequar suas operações ao ambiente do Complexo Cultural Rampa, que continuará sediando feiras da economia solidária e eventos culturais de curta duração”, diz, em nota, a Secretaria de Estado da Cultura (Secult-RN).


Os vencedores do certame deverão apresentar um Plano de Integração Cultural (PIC) no ato de assinatura do contrato, visando garantir a harmonia e a preservação da identidade do equipamento público. Além disso, devem “dar início às atividades no prazo máximo de dez dias corridos após a publicação contratual”.


As reuniões do Grupo de Trabalho do Governo do RN formado para discutir modelos de exploração econômica do Complexo Cultural da Rampa começaram em julho de 2024. O grupo teve participação de diversas pastas e entes ligados ao Governo do Estado.


A disputa ocorrerá por pregão eletrônico, com vitória da maior oferta para cada item. O acolhimento das propostas começou na última sexta-feira (24). A sessão pública para recebimento e abertura das propostas está marcada para 17 de agosto, às 9h, por meio do Portal de Compras do Governo Federal.


É possível consultar o edital e obter informações sobre as condições de participação nos portais de compras dos governos federal e estadual. A realização de vistoria prévia ao local é facultativa e pode ser agendada junto à Secult-RN por e-mail.

Potencial histórico


A Secult-RN, que administra a Rampa desde setembro de 2024, afirma que em 2025 o equipamento recebeu 75.210 visitantes. Sozinha, a exposição “Mundo Zira” recebeu uma média de 500 visitantes diários. De novembro de 2025 a abril de 2026, a mostra recebeu mais de 50 mil visitas.


Representantes do setor turístico potiguar avaliam que o espaço tem “grande potencial” para receber atividades econômicas que visem impulsionar a visitação no local, famoso por seu apelo histórico e localização privilegiada às margens do rio Potengi.


O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do RN (ABIH), Edmar Gadelha, reconhece esse potencial e afirma que “a proposta deve ir além da oferta de alimentação, transformando o espaço em um ambiente que valorize a história potiguar, a identidade local e a experiência do visitante, com serviços de qualidade tanto para os turistas quanto para a população”.


A localização é um dos principais diferenciais do complexo, na avaliação dele. “A implantação de operações qualificadas pode contribuir justamente para aumentar a atratividade do equipamento, tornando-o um destino mais completo para turistas e moradores”, afirma.


Grace Gosson, presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do RN, diz que a instalação dos serviços pode fortalecer o turismo na Ribeira. “Quando a gente instala bons restaurantes, cafeterias e bares bem pensados, a gente não está só abrindo mais um negócio: está ajudando a criar um motivo a mais para o visitante ficar no bairro, circular e consumir”, diz.


“O Complexo Cultural da Rampa tem um grande potencial de desenvolvimento de novos negócios. Além de a região ser muito carente de restaurantes e bares que atendam bem ao turista, ainda assim é uma opção cultural interessantíssima para agregar a experiência pós sol e mar”, afirma Grace Gosson.


Na avaliação de Marcelo Queiroz, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do RN (Fecomércio-RN), a Rampa tem “excelente” potencial para operações de gastronomia. Entretanto, “a gastronomia deve ser encarada como parte de uma experiência turística mais ampla, integrada ao patrimônio histórico, à cultura, aos eventos e à valorização da paisagem”, diz.


Para Marcelo Queiroz, “a implantação de serviços de alimentação e convivência pode contribuir para ampliar a permanência dos visitantes na região e estimular a circulação entre a Rampa, a Ribeira, Santos Reis, as Rocas e outros equipamentos turísticos do entorno”. “No entanto, é importante destacar que nenhum empreendimento isoladamente revitaliza uma região histórica”, pondera.

Redação

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