Carnaval 2026: 27ª Noite para os Tambores Silenciosos de Olinda encanta o público
A concentração com a participação de nove nações de maracatu ocorreu nos Quatro Cantos de Olinda, na noite desta segunda-feira (9)
A 27ª Noite para os Tambores Silenciosos de Olinda, organizada pela Associação dos Maracatus de Olinda (AMO), encantou o público no Sítio Histórico da cidade com a celebração religiosa e cultural na noite desta segunda-feira (9).
A concentração do evento que antecede o início do Carnaval ocorreu na Rua Prudente de Morais, nos Quatro Cantos, e saiu em cortejo pela Rua do Amparo rumo à Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Bonsucesso.
No total, nove nações de maracatu, com participação especial do grupo Clarins de Olinda, participaram do encontro.
Os grupos foram: Maracatu Nação Leão Coroado, Maracatu Nação Camaleão, Maracatu Nação Badia, Maracatu Nação de Luanda, Maracatu Nação Maracambuco, Maracatu Nação Pernambuco, Maracatu Nação Estrela de Olinda, Maracatu Nação Tigre e Maracatu Sol Brilhante de Olinda.
O encontro tem como objetivo reafirmar a força da religiosidade de matriz africana que fundamenta o maracatu de nação como expressão sagrada e histórica.
Nações de Maracatu
Fundado em 1863, o Maracatu Leão Coroado foi o responsável por abrir a celebração. Com muita irreverência e expressão da religiosidade, o grupo movimentou o público presente.
De acordo com a batuqueira regente do Leão Coroado, Karen Aguiar, destacou que a religiosidade faz parte da festa no Carnaval de Olinda.
“A noite [para os Tambores Silenciosos] é a tocada mais importante. É o momento que nos conectamos com nossa ancestralidade. Fazer Maracatu é isso. Além da festa, é para se conectar e continuar vivendo este vínculo. A gente está nesse corre há muitos anos celebrando essas pessoas que fazem e compõem a ancestralidade do Maracatu”, disse Karen.
O Maracatu Camaleão também fez parte do cortejo. Segundo Ítalo Douglas, embaixador da nação, o sentimento com a participação no evento é de renovação.
“A gente caminha e corteja para celebrar o que conquistamos durante esse período. Isso é o mais mágico e só sabe quem já viveu essa noite dos tambores silenciosos. A sensação é dever cumprido. A gente tem que proclamar nossa cultura para o mundo. É uma forma de não só celebrar o nosso, mas sim popularizar a cultura pernambucana”, enfatizou.
Uma das nações com a maior quantidade de componentes durante o cortejo, o Maracatu Nação Pernambuco foi um dos últimos a passar pela concentração.
Cantor do grupo e integrante desde 1997, Will Lima reforçou a importância do evento.
“O Maracatu Nação Pernambuco tem grande orgulho e simbologia imensa. Participar dessa edição é motivo de muita honra. Que venham mais anos. E o Nação Pernambuco está nessa luta incessante de manter a cultura e tradição do Maracatu vivas”, completou Will.
Ritual
Durante o cortejo, todas as Nações de Maracatu cantaram algumas loas, até a chegada do último grupo. O ritual religioso é conduzido pelo mestre Ivanildo de Oxóssi, com início programado à 0h, com cantos africanos entoados pelo zelador de santo.
Durante a cerimônia, a frente da igreja será banhada de perfume. O encerramento é concretizado com o rufar dos tambores, que estiveram em silêncio durante a celebração, acompanhados da tradicional queima de fogos.

