Cearense será primeiro brasileiro a dar volta ao mundo sozinho em um monomotor
Jornada tem início no próximo domingo (15) e prevê cerca de 150 dias de voo com travessia em cinco continentes.
Imagine percorrer quase 80 mil quilômetros sozinho a bordo de um pequeno avião. Este será o desafio do administrador de empresas Alexandre Frota, a partir do próximo domingo (15), quando o cearense de 52 anos decola, de Fortaleza, rumo ao objetivo de realizar a primeira volta ao mundo solo em um monomotor feita por um brasileiro.
Batizado de Frotas pelo Mundo, o projeto prevê cerca de 150 dias de voo e passagens por 45 países a bordo de um Van’s RV-10, aeronave de quatro lugares e asa baixa.
A rota inclui América do Norte, Groenlândia, Islândia, Europa continental, Oriente Médio, Ásia, Oceania e retorno pelas Américas, cruzando ao todo cinco continentes. O pouso final na capital cearense está previsto para o mês de setembro.
A ideia nasceu de um sonho pessoal, ainda em 2022, poucos anos após o administrador conquistar seu brevê, que é a licença oficial necessária para pilotar aeronaves.
“Todo piloto que não é comercial tem o desejo de voar para longe, conhecer novos locais, e eu sempre gostei de novos projetos, então decidir sonhar como puder. E nada melhor como dar uma volta ao mundo”, disse Alexandre, em entrevista ao Diário do Nordeste.
Segundo Alexandre, o plano operacional para viabilizar o desafio foi descrito em um e-mail enviado para ele mesmo. A partir desse documento, as fases do projeto começaram a ser colocadas em prática.
Uma das etapas mais importantes, segundo ele, consistiu em um voo teste realizado até os Estados Unidos, ocorrido em abril de 2024. “Foram 21 dias, 15 mil quilômetros e 60 horas de voo, passando por dez países. Queríamos ter essa vivência, entender toda a parte de burocracia, permissões, para entender se queríamos participar da segunda fase do projeto, explicou.
AERONAVE ADAPTADA
Alexandre diz ainda que a aeronave precisou ser adaptada para cumprir as cerca de 300 horas de voo previstas na jornada. Conforme conta, os tanques de combustíveis nas asas foram estendidos, e um extra foi instalado no lugar do banco traseiro, concedendo quase 15 horas de autonomia ao monomotor.
Para cumprir todos os requisitos de segurança, segundo acrescenta, o Van´s ficou 40 dias em revisão, período em que foram trocados todos os componentes móveis e elétricos da aeronave.
BELEZAS MUNDIAIS E TENSÃO NA ÁSIA
Entre as grandes expectativas do percurso, o piloto destaca o sobrevoo nos maiores pontos turísticos do planeta, entre eles a Estátua da Liberdade, em Nova York; as pirâmides do Egito, na cidade do Cairo; e o Taj Mahal, na Índia. “Tenho grandes expectativas sobre o Alasca, que é um estado com beleza natural muito intocada.”, complementa.
Alexandre classifica a Ásia como a parte mais arriscada do trajeto. “Desde o Egito até a Rússia, tudo mais complicado, burocrático, alguns locais não tem combustível. A parte mais tensa é a Ásia, incluindo o território do Oriente Médio, que está em guerra, e ainda vamos resolver o que fazer quando chegarmos lá, daqui a 60 dias”, afirmou.
MISSÃO E IMPACTO POSITIVO
Para Alexandre, o experimento requer disciplina e maturidade, reunindo vários objetivos dentro de uma missão principal. “Uma delas é impactar positivamente um maior número de jovens e adolescentes e mostrar que é possível realizar sonhos ou processos complexos, mas que isso não vem de graça, tem um custo, e demanda sacríficos”, explica.
Outro objetivo, conforme acrescenta, é trazer orgulho para a região Nordeste, especificamente o Ceará. “Acabar essa missão será uma grande conquista e o nosso povo merece ter esse reconhecimento. Foram 4 anos de planejamento, seis meses de execução, então além disso ainda vou sentir uma realização pessoal muito grande”, afirma.

