O Encontro de Dois Tempos: Posse do Corecon-MA celebra Jubileu de Ouro e união de gerações
Entre o primeiro presidente e o atual, não havia apenas um intervalo de cinco décadas. Havia a história viva da economia maranhense
Quem esteve na noite da última terça-feira (10) no auditório da Fecomércio presenciou uma dessas cenas raras na vida pública, em que o protocolo cede lugar à história. José Ribamar da Silva Campos, o homem que presidiu a instalação do Conselho Regional de Economia (Corecon-MA) em 13 de fevereiro de 1976, subiu ao palco para conduzir a posse do economista Roberto Santos Matos, presidente e de Jadson Pessoa, vice-presidente, que liderarão a instituição em seu cinquentenário.

Entre o primeiro presidente e o atual, não havia apenas um intervalo de cinco décadas. Havia a história viva da economia maranhense. Aquele aperto de mão foi a transmissão de um testemunho de responsabilidade pública, selando a continuidade de uma categoria essencial para o planejamento e o desenvolvimento do estado. E, em 2026, essa simbologia se ampliará pois, além dos 50 anos do Conselho, o país celebra os 75 anos da regulamentação da profissão de economista, os 60 anos do curso de Economia da UFMA, o início do novo curso de Economia da UEMA em São Luís e Timon e os 20 anos do IMESC.

Na mesma solenidade, foram empossados os conselheiros que comporão o plenário do Corecon-MA no novo ciclo: Danilo José Menezes Pereira, Dionatan Carvalho, Eden do Carmo Soares Júnior, Eduardo Campos, Eduardo Cássio Beckman Gomes, Eduardo Henrique Santos Pereira, Jadson Pessoa da Silva, Juliana Mochel, Laura Carneiro, Marcelo de Sousa Santos, Roberto Santos Matos, Wilson França Ribeiro Filho (Conselheiros efetivos) e Augusto Mariano Santos de Matos, Frednan Bezerra dos Santos, Karoline Kelly, Luiz Fernandes, Marcos Antonio Lopes Freixo Filho, Patrícia Reis França, Safira Carvalho, Talita de Sousa Nascimento, Thiellem Cunha (Conselheiros suplentes), reforçando a representatividade e a capacidade de articulação institucional do Conselho.
Um Novo Ponto de Partida
Em seu discurso, o presidente Roberto Matos fugiu das falas fáceis que costuma cercar datas comemorativas. Para ele, o Jubileu de Ouro deve ser vivido como um reconhecimento à dedicação e ao trabalho de todos que o antecederam, mas, sobretudo, como um “novo ponto de partida”.

Diante de uma plateia qualificada, Matos delineou o que denominou “Convergência Institucional pelo Desenvolvimento”. Seu discurso foi além da análise de conjuntura para oferecer um diagnóstico mais estrutural. Embora reconheça o comportamento positivo recente dos agregados macroeconômicos e os ganhos sociais nos últimos anos, o economista alertou para a urgência de consolidar esses avanços diante da transição demográfica.
Para o presidente, o Maranhão vive um timingcrucial para converter suas vantagens comparativas naturais em competitividade sistêmica, reposicionando-se estrategicamente antes que a janela do bônus demográfico se feche. Segundo o economista, é necessário aprofundarmos os quatro pilares que sustentam as nações prósperas:
- Capacidade endógena de inovar;
- Fortalecimento de uma base industrial complexa;
- Investimento obstinado na produtividade do capital humano;
- Instituições fortes, inclusivas, com convergência.
“O desenvolvimento e a autonomia da nossa sociedade dependem da convergência desses fatores”, afirmou, convidando os parceiros institucionais presentes à reflexão.
A Força das Parcerias
A resposta a esse chamado materializou-se na composição da mesa e da plenária. O grande diferencial desta posse foi a demonstração de que o Corecon-MA de 2026 atua muito além de sua função precípua de fiscalização profissional. O Conselho tornou-se um importante parceiro na integração de instituições públicas e privadas em prol do desenvolvimento do estado.
A presença de Gabriel Furtado, Defensor Público-Geral do Estado, reafirmou a aliança estratégica na defesa da cidadania financeira. Projetos como o “Proteja seu Bolso!”, “Proteja seu Bolso, Mulher!” e o inédito programa de Residência para economistas colocam a técnica a serviço do combate ao superendividamento e da avaliação de políticas públicas, qualificando, com dados, a atuação da DPE-MA.
No campo da produção intelectual e acadêmica, Dionatan Carvalho, presidente do IMESC, simbolizou a parceria editorial na revista Mundo Econômico. O periódico ganhará ainda mais corpo com a assinatura de protocolos de intenções com a UFMA e a UEMA, ampliando a participação de alunos e professores na produção científica sobre a socioeconomia maranhense. As presenças do Magnífico Reitor Walter Cannalles, da UEMA, e da coordenadora do curso de Economia da UFMA, Selma Pires, reforçam o apoio das universidades nessa direção.
O setor produtivo mostrou força com a presença de Max Medeiros, diretor executivo da Fecomércio-MA e anfitrião da noite; José Cursino Raposo, analista do Sebrae-MA; e Thiago Sereno, presidente da Associação dos Jovens Empresários (AJE-MA), representando a renovação da base empreendedora. A área de fomento e atração de investimentos foi representada por Isaque Costa do Nascimento, superintendente estadual do Banco do Nordeste (BNB), e pela equipe de atração de investimentos da INVESTE MA.
Destaque também para a presença de Marcelo Duailibe, economista e ex-presidente do Corecon-MA, atual presidente da EMSERH. Sua gestão na estatal foi citada pelos avanços na expansão e na qualidade dos serviços hospitalares.
O Coração da Instituição
Se a presença de José Ribamar da Silva Campos conferiu peso histórico à noite, a homenagem à servidora Marlene Costa Luz Barbosa deu a ela sua dimensão humana. Gerente Executiva e rosto conhecido de gerações de economistas, Marlene foi aplaudida com entusiasmo, personificando a estabilidade institucional e a dedicação que mantêm o Conselho forte.
Agenda do Jubileu
O Corecon-MA informou que as ações comemorativas do Jubileu de Ouro, iniciadas em 2025, seguirão intensas ao longo de 2026, com debates, publicações e sessões solenes. Entre a memória de 1976 e a energia de 2026, o Conselho provou que os economistas exercem um papel decisivo no fortalecimento da democracia e no desenvolvimento econômico e social: são cientistas sociais aplicados que transformam dados em evidências e evidências em políticas públicas, ajudando a sociedade a decidir seu futuro com mais clareza e responsabilidade.

