Apoiada pela Fapema, Orquestra Filarmônica do Maranhão realiza primeiro ensaio aberto, na Igreja da Sé
Ensaio aberto permitiu aos espectadores observar o trabalho de preparação, a interação entre o regente e os instrumentistas, e os ajustes técnicos finais
As paredes históricas da Catedral Metropolitana de São Luís (Igreja da Sé) foram cenário de um momento marcante para a arte maranhense. Na quarta-feira (20), aconteceu o primeiro ensaio aberto da Orquestra Filarmônica do Maranhão (OFMA). O projeto, iniciativa pioneira no estado, é fruto de parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), as secretarias de Estado da Educação (Seduc) e da Cultura (Secma), além do Teatro Arthur Azevedo.
Diferente de um concerto tradicional, o ensaio aberto permite aos espectadores observar o trabalho de preparação, a interação entre o regente e os instrumentistas e os ajustes técnicos finais. Sob a regência do professor Daniel Cavalcante, os 55 músicos que compõem a orquestra apresentaram um repertório com clássicos da música de concerto internacional, brasileira e da música popular maranhense. A formação inclui instrumentos de cordas, sopros e percussão.
O diretor científico da Fapema, Cristiano Capovilla, acompanhou o ensaio e destacou a importância do apoio da Fundação ao projeto. “A FAPEMA demonstra inovação ao oferecer apoio financeiro e bolsas de incentivo para o desenvolvimento das atividades da orquestra. Consideramos esta ação de extrema relevância, pois rompe com a percepção tradicional de que ciência se restringe a laboratórios, demonstrando que o conhecimento científico e a técnica também se manifestam por meio da arte”, afirmou.
O regente Daniel Cavalcante falou sobre a importância do ensaio aberto. “Este ensaio aberto é uma amostra do trabalho que temos desenvolvido desde janeiro. É importante apresentar ao público o resultado de nossos esforços, pois nossa música é dedicada a ele. E nada melhor do que trazer a orquestra para esta igreja, que faz parte da história da cidade”, pontuou.
A atividade prepara o grupo para o grande Concerto de Estreia da OFMA. A apresentação ocorrerá no palco do Teatro Arthur Azevedo assim que forem concluídas as obras de reforma. “Temos nos dedicado à preparação de um repertório cuidadosamente selecionado e diversificado, abrangendo obras de diferentes períodos, de compositores brasileiros e maranhenses, valorizando a diversidade musical do Brasil e da música clássica de concerto, já amplamente reconhecida”, explicou Daniel Cavalcante.
Oportunidade para músicos maranhenses
O músico Guilherme Freitas, de 26 anos, toca contrabaixo há cerca de cinco anos e agora passa a integrar a orquestra. “Além de representar uma oportunidade, acredito que a Orquestra Filarmônica do Maranhão simboliza uma transformação que esta Ilha sempre almejou. São mais de 400 anos de história, e a ausência de uma orquestra como essa era algo que muita gente ansiava. Não se trata de atender a um público específico, mas toda a população”, comentou.
Quem também comemora a oportunidade é Mirian Oliveira, de 33 anos. Ela é violinista há 20 anos e, há três meses, passou a tocar também viola, instrumento que apresenta na orquestra. “É muito gratificante participar da Orquestra Filarmônica do Maranhão, pois temos a oportunidade de aprender muito com músicos formados aqui. Isso nos proporciona uma troca de aprendizado muito grande. Para mim, tem sido maravilhoso. Tenho aprendido muito e também contribuído. Meu coração está tomado pela emoção”, afirmou.
Para Lauro Mendes, de 41 anos, músico há duas décadas, a orquestra representa a chance de mostrar seu talento em casa. “Após muitos anos tocando em orquestras e grupos pelo Brasil e exterior, retornar ao meu estado representa uma oportunidade singular. A Orquestra Filarmônica do Maranhão me proporciona, além da realização profissional, a honra de exercer minha arte em minha terra natal, onde nasci, cresci e fui educado”, comemorou.
Emoção do público
Na plateia, estavam familiares e amigos dos músicos, além de admiradores da música clássica. Quem acompanhou o ensaio não escondeu a emoção ao fim da apresentação. “Vim ver minha namorada e alguns amigos que fazem parte da orquestra. Foi muito bom vê-los aqui, fazendo o que amam, que é música. É uma experiência única poder prestigiar este momento. Foi realmente notável”, disse o estudante José William Sousa.
A administradora Nielza Soares ficou encantada com a apresentação. “Foi uma apresentação maravilhosa. Os músicos estavam afinados, a performance foi muito bonita, com músicas belíssimas. A música, de fato, toca profundamente a nossa alma, e a apresentação foi emocionante. Parabenizo a iniciativa”, comentou.
A engenheira Lisbela Leal também foi só elogios. “Considero que o estado do Maranhão, com sua rica tradição cultural, já demandava há muito tempo a existência de uma orquestra. Considero notável a iniciativa de levar a música de concerto a locais históricos e ao centro da cidade, popularizando-a e fomentando a formação de público para este gênero musical”, afirmou.
Apoio da Fapema
A viabilização da OFMA é fruto de um acordo de cooperação técnica assinado em outubro do ano passado entre a FAPEMA, a Seduc e a Secma. O acordo assegurou um investimento inicial de R$ 700 mil para a primeira etapa de execução do projeto.
O acordo garante a concessão de bolsas destinadas a professores e alunos selecionados pela Escola de Música do Estado do Maranhão Professora Lilah Lisboa de Araújo (EMEM), com duração de 12 meses. Além disso, a Fapema concederá uma parcela única de auxílio financeiro para custeios necessários à execução do projeto.
Para Guilherme Júnior, supervisor da Escola de Música do Estado do Maranhão (EMEM) pela Seduc, a iniciativa representa um motor de renovação para a música maranhense. “Este primeiro ensaio aberto representa um evento singular para a música maranhense. É um marco. Estamos construindo e documentando um novo capítulo na história da música do Maranhão e também do Brasil. Desejamos compartilhar este trabalho com a população, demonstrando o que temos realizado na música do Maranhão”, destacou.
A criação da orquestra retira o Maranhão da lista de estados brasileiros que não possuíam uma filarmônica própria. Além disso, a iniciativa amplia o acesso à música de concerto para diversos públicos e fortalece as raízes e a produção cultural do estado, consolidando a identidade maranhense por meio da arte.

