Do Litoral ao Sertão: rodovias conectam o desenvolvimento social e econômico em Pernambuco
Cerca de 13 mil quilômetros de estradas cortam o estado. O governo pernambucano, que administra 80% dessa malha, anuncia investimentos de R$5,1 bilhões no setor
Quando um caminhão deixa o Sertão carregado de frutas, um turista chega ao Litoral Sul em busca de praias cristalinas ou uma indústria escolhe Pernambuco para se instalar, há um elemento comum sustentando essas ações: as estradas.
As rodovias que cortam o estado – mais de 13 mil quilômetros, entre vias estaduais e federais – são estruturas vitais para o desenvolvimento social e econômico. Elas conectam regiões, pessoas e bens. Possibilitam o tráfego logístico essencial para a manutenção de todas as cadeias importantes.
“Estrada é desenvolvimento”, resume o secretário estadual de Mobilidade e Infraestrutura, André Texeira Filho. Segundo ele, cerca de 80% da malha rodoviária de Pernambuco está sob administração do estado, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), o que reforça a responsabilidade e a necessidade de investimentos contínuos.
“É por meio da estrada que as produções locais podem ser escoadas, e uma rodovia requalificada e em bom estado garante fluidez e segurança no trajeto, além de diminuir o tempo de deslocamento. Fábricas, centrais de distribuição e a indústria como um todo ganham a partir disso”, afirma o secretário.
Doutor em engenharia, professor da Universidade Católica de Pernambuco, Maurício Pina, membro da Academia Nacional de Engenharia, lembra que Pernambuco se destacou historicamente como pioneiro em pavimentação no Nordeste, impulsionado pela chamada “batalha da pavimentação”, na gestão de Agamenon Magalhães, que defendia: “Primeiro as estradas, o resto elas darão.”
Para Maurício, a frase continua atual. O especialista reforça que as rodovias são o modo predominante de transporte no Brasil – 95% dos passageiros e mais de 60% das cargas circulam por elas no país.
“Precisamos ampliar mais rodovias. Apesar de ser o modo de transporte predominante do Brasil, temos poucas. Precisamos expandir nossa malha e mantermos a boa qualidade dela”, destaca o professor Maurício Pina, detalhando que a maioria das rodovias pernambucanas possui pista simples, com duas faixas. Pistas duplas são menos comuns e pistas triplas, raríssimas, de acordo com ele.
O secretário estadual de Mobilidade e Infraestrutura alerta para o fim dos incentivos fiscais nos próximos anos e destaca que os estados que desejarem manter competitividade precisarão oferecer infraestrutura sólida.
“A economia pernambucana é diversificada, e muitas das empresas já instaladas precisam ter a garantia desses avanços na infraestrutura rodoviária”, explica. No turismo, a lógica se repete: “Temos um litoral que atrai visitantes de todo o mundo, e as estradas precisam ter qualidade para retorno positivo dos visitantes”, aponta Texeira.
PE na Estrada
Para dar conta desse desafio e intensificar investimentos na malha rodoviária do estado, o Governo de Pernambuco criou o programa PE na Estrada, lançado no fim de 2024. A iniciativa promove obras de implantação, restauração e conservação de rodovias, estradas vicinais e calçamento urbano.
O objetivo é melhorar a infraestrutura e segurança viária, mobilidade da população, e impulsionar o desenvolvimento econômico das regiões, facilitando o escoamento da produção e incentivando a geração de emprego e renda.
Até o momento, 1.500 quilômetros de pista foram alcançados pelo programa, que pretende restaurar mais de 3.500 quilômetros de rodovias e vias urbanas em todas as regiões do estado. “Ao todo, serão investidos R$5,1 bilhões até o final de 2026, o maior programa de investimentos da história de Pernambuco”, ressaltou o secretário André Texeira Filho.
Rodovias que beneficiam diretamente importantes polos econômicos e turísticos de Pernambuco já tiveram as obras entregues, como a PE-095, PE-145, PE-265 e PE-499.
Entre os destaques, a triplicação da BR-232 no trecho da Região Metropolitana do Recife já mostra impacto direto na logística do acesso Interior-Capital. “Gerou melhor fluxo, melhorando a logística de escoamento”, diz o secretário. Já no Litoral Sul, região estratégica para o turismo, os aportes também são robustos. A PE-060 está recebendo R$80 milhões, dentro de um pacote maior que soma R$569 milhões em investimentos, beneficiando outras vias da região.
A gestão estadual executa o PE na Estrada por meio da Semobi, Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh), Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab) e Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA).
Entre as obras estruturantes para reposicionar o estado no mapa logístico do Nordeste, o Arco Metropolitano é uma das principais apostas. O secretário André Texeira Filho apontou que o trecho Sul será executado em parceria com o Governo Federal, com investimentos que ultrapassam R$600 milhões.
“É uma obra importante, porque vai diminuir o trânsito das BRs 101 e 232, melhorar o fluxo de veículos de carga, que deixarão de trafegar por zonas urbanas, e vai conectar polos econômicos importantes, como Suape, Goiana, Agreste e Sertão. Tudo isso vai colocar Pernambuco como hub logístico do Nordeste”, projeta o gestor da Semobi.
Desafios
O professor Maurício Pina destaca como ponto importante a necessidade de fiscalização do excesso de peso de veículos de carga em rodovias. O especialista cita um estudo feito com seus estudantes na PE-60: caminhões com carga acima do permitido, que deveria ser de 17 toneladas, circulavam com até 32 toneladas.
“A simulação revelou que se tivéssemos dimensionado o trecho com uma vida útil de 10 anos, com menos de três anos a vida útil já teria sido encerrada pelo excesso de peso dos caminhões que passavam lá. O excesso de peso é um problema que precisa ser sanado. A população é que sofre com o pavimento, com os acidentes e mortes que acontecem nas rodovias”, alerta.
Segundo o professor, investir na ampliação da malha rodoviária é tão importante quanto garantir sua manutenção. “Não adianta restaurar uma rodovia se veículos muito pesados continuam passando. É preciso fiscalização, plano de manutenção e recursos assegurados”, afirma Pina.
Sustentabilidade
O professor e engenheiro Maurício Pina ressalta que projetos modernos de pavimentação têm buscado práticas sustentáveis, como o reaproveitamento de materiais já utilizados, reduzindo a extração de recursos naturais.
Ele aponta que todo projeto de rodovia deve passar por estudos de impacto ambiental, visando minimizar danos e preservar o meio ambiente. “Hoje em dia, existem técnicas que reaproveitam areia, brita e outros recursos minerais, o que é positivo do ponto de vista ambiental”, destaca Pina.
O governo de Pernambuco apontou práticas adotadas para monitorar, conservar e aumentar a vida útil das estradas: “Temos uma série de avanços em termos de tecnologia. Sistemas de ponta que permitem o monitoramento por meio de medição de trabalho.
Esses sistemas permitem que possamos acompanhar em tempo real tudo que vem sendo fiscalizado pelos nossos servidores, em um banco de informações interno”, informou o secretário da Semobi, André Texeira Filho.

