Obras de restauração do Cine Panorama entram na reta final

Obras de restauração do Cine Panorama entram na reta final
Projeto do primeiro cinema público do Rio Grande do Norte inclui recuperação estrutural, acessibilidade e novas instalações elétricas

“Uma história deve ter um começo, um meio e um fim, mas não necessariamente nessa ordem”, observou o cineasta francês Jean-Luc Godard, falecido em 2022, ao analisar, ainda na década de 1970, a importância do cinema. Em Natal, no bairro das Rocas, o fim e o começo se entrelaçam para o Cine Panorama, fechado há mais de trinta anos, que passa por recuperação e será, a partir do segundo semestre, o primeiro cinema público do Estado.

Com obras na reta final, a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes, visitaram nesta sexta-feira (15) a obra de restauração do Panorama. O projeto é conduzido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e da Fundação José Augusto (FJA), com foco na recuperação do patrimônio cultural e no fortalecimento do setor audiovisual potiguar.

Durante a visita, a governadora destacou que a restauração representa a retomada de um equipamento histórico e a ampliação do acesso à cultura no estado. “É uma parceria que tem um simbolismo do ponto de vista histórico, porque nós estamos restaurando um dos últimos cinemas de rua que existiam em Natal. É uma demonstração clara de que este novo espaço público vai contribuir para iluminar, fomentar e incentivar cada vez mais o audiovisual em nosso estado e pelo Nordeste afora”, disse.

O processo de reativação do Cine Panorama teve início em 24 de fevereiro de 2025, com a assinatura do decreto de utilidade pública para desapropriação do imóvel. A iniciativa foi o pontapé para converter o imóvel em um cinema público de rua. A aquisição do prédio custou R$ 935 mil, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Os equipamentos de projeção serão adquiridos por meio de emenda parlamentar da deputada federal Natália Bonavides.

A ministra Margareth Menezes afirmou que o espaço também deve contribuir para a economia local, com potencial de geração de emprego e renda na região. A expectativa é de que o equipamento estimule atividades comerciais no seu entorno. “É um lugar de benefício para a vida das pessoas, de geração de emprego e renda para a população local. A função da arte e da cultura é fazer o bem e beneficiar as pessoas”, comentou.

Inaugurado em 1967, o Cine Panorama foi um dos principais cinemas de rua da capital e funcionou por décadas no bairro das Rocas. A primeira sessão foi o filme “007 contra o Satânico Dr. No”. O local exibiu produções cinematográficas até o início dos anos 90, quando fechou pela primeira vez. Em seguida, virou templo evangélico e, em meados dos anos 2000, fechou as portas em definitivo.

Gestão compartilhada

A secretária estadual de Cultura, Mary Land Brito, ressaltou o valor histórico do equipamento, bem como a abertura de um cinema público de rua, cujo objetivo é democratizar o acesso à cultura audiovisual. Atualmente, segundo dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine), Natal possui 21 salas de exibição, todas em centros comerciais. “Nós estamos resgatando o cinema, fazendo uma restauração e recuperação de toda a estrutura, com acessibilidade e funcionalidade. Será um espaço importante para exibir filmes, mas também de resgate da memória do audiovisual potiguar”, ressaltou.

Ela reforçou que a conclusão das obras está prevista para o segundo semestre de 2026. Atualmente, os trabalhos avançam com a cobertura, reestruturação do palco e da plateia, instalação de pisos, revestimentos e portas, além da modernização das redes elétrica e sanitária.

As poltronas originais da antiga sala de cinema também serão reformadas. Ao todo, 350 estão em processo de restauração e estofamento, com adaptação para acessibilidade.

As próximas etapas incluem climatização, instalação de equipamentos de combate a incêndio, sonorização, iluminação da fachada e implantação de plataforma de acessibilidade.

Após a entrega, o Governo do Estado deverá lançar edital para gestão compartilhada do espaço, com foco em exibições cinematográficas, formação de público, ações educativas e fortalecimento do audiovisual potiguar.

 Fortalecimento do Circuito Literário Potiguar

Antes da visita ao Cine Panorama, a governadora Fátima Bezerra e a ministra Margareth Menezes participaram da formalização da parceria entre o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) e o Circuito Literário Potiguar (CLIP). A solenidade aconteceu nas dependências do campus Centro Histórico, na Rocas.

Segundo a governadora Fátima Bezerra, o CLIP integra as ações da Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE) no Rio Grande do Norte e tem como foco a formação de novos leitores e a difusão da produção de autores locais. “É livro, é sarau, é leitura, é música, é incentivar cada vez mais o hábito da leitura. A minha alegria é que o projeto conta com a parceria qualificada do IFRN”, ressaltou.

O projeto conta com um investimento total de R$ 2,2 milhões, sendo R$ 1,2 milhão proveniente do Ministério da Cultura (MinC) e R$ 1 milhão de contrapartida do Governo do Estado.

O cronograma do projeto está dividido em duas fases. A primeira, entre junho e julho de 2026, prevê 30 atividades formativas itinerantes em 15 municípios, abrangendo as 16 Diretorias Regionais de Educação e Cultura (DIRECs) do estado.

O secretário de Formação, Livro e Leitura do MinC, Fabiano Piuba, pontuou que o projeto busca preencher lacunas de eventos literários fora da capital e fortalecer a economia criativa em territórios vulnerabilizados. “O Circuito Literário Potiguar é uma ação do Ministério da Cultura em parceria com a Secretaria de Cultura do Rio Grande do Norte e com o IFRN. É uma parceria muito bem afinada. O objetivo é formar leitores e difundir os autores locais”, relatou.

De acordo com as regras do CLIP, pelo menos 40% dos recursos destinados à aquisição de acervos dentro das políticas de incentivo à leitura do estado devem ser aplicados em obras de autores potiguares.

A ministra Margareth Menezes, que, durante a agenda, cantou com alunos do IFRN a música “Ramalhete de Flor”, um dos novos sucessos do seu extenso repertório como cantora, ressaltou a importância dos investimentos na difusão da cultura em todo o país. “Estamos injetando recursos nas culturas populares por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), para não perdermos nossa referência. Não adianta sermos um país gigante tendo apenas a cultura dos outros como referência, pois a cultura do outro não é melhor do que a nossa. A diversidade da cultura brasileira é nossa grande riqueza”, salientou.

Participaram das agendas no Cine Panorama e no IFRN Centro Histórico o presidente da Fundação José Augusto, Gilson Matias; a secretária adjunta estadual da Educação, Cleonice Cleusa Kozerski; o secretário extraordinário de Assuntos Federativos, Luciano Santos; e o diretor-geral do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), Werner Farkatt Tabosa. Além deles, estiveram presentes a subsecretária de Espaços e Equipamentos Culturais do MinC, Cecília Sá; o representante do Escritório Estadual do MinC, Fábio Henrique; e o pró-reitor de Planejamento do IFRN, Rafael Fontes. Também participaram a vereadora Brisa Bracchi e a coordenadora do curso de Produção do IFRN, Nara Pessoa, além de professores, servidores e alunos da instituição.

Redação

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