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RN encerra agosto com chuvas 55% abaixo da média esperada

O Rio Grande do Norte encerrou agosto com volume de chuvas 55% abaixo da média esperada para o período. O dado consta em análise pluviométrica da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn) citada pelo Governo do Estado no decreto que reconheceu situação de emergência por seca em 123 municípios potiguares. A publicação foi realizada no Diário Oficial do Estado deste sábado (26).

De acordo com o levantamento, todas as mesorregiões do Estado registraram precipitações abaixo da média em agosto. O resultado encerrou um período marcado por forte irregularidade na distribuição das chuvas entre março e agosto deste ano, tanto em relação aos meses quanto às diferentes regiões potiguares.

No acumulado dos seis meses analisados, o Estado recebeu uma média de 596,9 milímetros de chuva, enquanto eram esperados 640,3 milímetros. A diferença representa um déficit pluviométrico de 6,8%. As situações mais desfavoráveis foram observadas nas regiões Central, onde o volume ficou 18,7% abaixo da média, e Agreste, com redução de 16,5%.

Os números mostram, porém, fortes oscilações ao longo do período. Março terminou com déficit de 23,2%, enquanto abril e maio apresentaram chuvas acima da média, com índices positivos de 31,2% e 50,3%, respectivamente. Em junho, o cenário voltou a se inverter, com precipitações 19,9% inferiores à média.

Julho chegou a apresentar resultado estadual 22,4% acima da média. O Governo ressalta, entretanto, que as chuvas ficaram concentradas predominantemente no Litoral Leste, enquanto as demais regiões registraram déficits. Em agosto, o cenário se agravou e nenhuma mesorregião conseguiu alcançar o volume médio esperado, resultando no déficit estadual de 55%.

Impactos no campo

Na avaliação apresentada no decreto, não é apenas o volume acumulado de chuva que influencia a atual situação hídrica. A distribuição irregular das precipitações, associada às perdas de água por evaporação e evapotranspiração, contribuiu para reduzir a disponibilidade hídrica e provocar o ressecamento da vegetação.

O cenário também compromete atividades agropecuárias, especialmente a agricultura de sequeiro, e provoca prejuízos às populações rurais dos municípios afetados. A escassez hídrica e o ressecamento da vegetação ainda estão associados ao aumento do risco de incêndios florestais, segundo o documento.

Dados do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), também utilizados como fundamento para o decreto, indicam que parcela expressiva do Rio Grande do Norte permanecia atingida pela seca em agosto. Predominavam as classificações de seca fraca e moderada, principalmente nas regiões Oeste, Central e Agreste, enquanto parte do Leste Potiguar aparecia sem condição relativa de seca.

O quadro levou o Governo do Estado a reconhecer situação de emergência em 123 municípios. A medida passa a vigorar na segunda-feira (28) e terá duração inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada por igual período.

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