Cães de resgate do Corpo de Bombeiros passam por treinamento para aprimorar técnicas

Cães de resgate do Corpo de Bombeiros passam por treinamento para aprimorar técnicas

Aprimorar técnicas de busca, intensificar a integração entre cães e condutores e manter o nível operacional das equipes para ocorrências reais. Com este objetivo, foi realizado treinamento com cães de busca e resgate do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA), nesta quinta-feira (30). A atividade reuniu cinco cães especializados da corporação, em maratona de treino no 2º Batalhão de Bombeiros Militar (2º BBM), bairro Cohab Anil, em São Luís (MA).

Participaram os border collie Chico, Bulma e Flecha; a pastor alemão Eva; e o bloodhound Focus. Coordenado pela capitã Sarah Raquel Alves, condutora das cadelas Bulma e Flecha, o treinamento teve como objetivo, além da integração, reforçar habilidades destes animais. Entre estas, capacidades olfativas, obediência avançada, resposta a comandos em diferentes cenários e resistência física. Para a atividade, a equipe montou aparato para testar o desempenho e a sinergia entre os cães e seus condutores.

Os treinamentos são contínuos e aprimoram as habilidades dos cães para reforço nas operações reais em cenários de desabamento, de difícil acesso como áreas de mata fechada e locais com baixa visibilidade, por exemplo. A preparação de um cão para a busca e resgate pode levar até dois anos, explica a capitã Sarah Raquel Alves. “Até que estejam plenamente aptos para atuar em operações reais, há um processo contínuo e progressivo de treinamento. Eles estão a todo tempo sendo testados e preparados”, enfatiza.

Na prática diária, os cães são expostos a diferentes ambientes e estímulos, como ruídos, obstáculos e presença de estranhos, para que se adaptem às condições reais de atuação. Os cães são treinados para atuar em diversas situações de emergência, incluindo desabamentos, escombros, buscas por desaparecidos em áreas urbanas e rurais, situações como deslizamentos de terra, além de apoio em operações humanitárias. A integração com a equipe também é fundamental. “Eles precisam confiar no condutor e trabalhar em sintonia e este vínculo é construído ao longo do treinamento”, aponta o sargento Júlio César Cardoso, condutor da cadela Eva.

Nas operações, esta equipe canina tem destacada função, conferindo mais agilidade e precisão no serviço. Eles conseguem localizar vítimas em menos tempo, em comparação a humanos sozinhos, especialmente em situações de desaparecimentos e desastres naturais. Em geral, os cães conseguem cobrir áreas muito maiores do que humanos, apenas com visão e audição, tornando os resgates mais rápidos e eficientes ao localizar vítimas com maior precisão. O Focus, por exemplo, é de uma raça de alta habilidade olfativa. “A raça bloodhound é a que possui o faro mais apurado do mundo. E apesar de ser um cão de grande porte, é dócil e carinhoso. Uma raça fácil de adestrar e de trabalhar”, ressalta o sargento Paulo José de Castro, condutor do cão Focus.

A eficiência destes heróis de quatro patas é reconhecida nacionalmente. Os cães do CBMMA possuem certificações da Liga Nacional dos Bombeiros (Ligabom) em Busca Urbana e por Restos Mortais (Chico), Busca Urbana, Rural e por Restos Mortais (Flecha) e Busca por Odor Específico (Zoye). “O trabalho dos cães aumenta consideravelmente as chances de sucesso em uma operação e com treinamento constante, nossa corporação caminha para contar com equipes cada vez mais preparadas para salvar vidas”, observa o sargento Valberto Marreiros, condutor do cão Chico.

Heróis de quatro patas

A corporação possui oito cães de busca e resgate, incluindo a rastreadora brasileira Zoye, que já participou de várias missões; e dois filhotes da raça braco alemão de pelo curto, recém-integrados ao grupo e que já estão na rotina de treinamento. Os cães precisam apresentar características importantes desde cedo, como curiosidade, agilidade, ausência de medo e disposição para explorar o ambiente. Além disso, é importante que sejam sociáveis, gostem da interação com pessoas e consigam se adaptar a diferentes cenários e equipes. Durante todo o processo, a avaliação é constante, levando em conta a evolução do cão, sua resposta aos comandos, motivação e desempenho prático, inclusive em certificações que comprovam sua aptidão para atuar em situações reais.

Raças como border collie, pastor alemão e bloodhound são ideais para esse tipo de trabalho devido à combinação de inteligência, resistência física e capacidade olfativa apurada. Porém, não existe uma raça única, explica a capitã Sarah Raquel. “A escolha depende de vários fatores, como a região de atuação, o perfil do condutor, a resistência física do cão e sua capacidade olfativa. O bloodhound, por exemplo, tem um dos melhores faros do mundo, enquanto o border collie se destaca pela obediência e agilidade”, explica.

A seleção dos cães leva em conta critérios como saúde, disposição para o trabalho, sociabilidade e instinto de busca. Já a avaliação de desempenho é contínua, baseada em testes práticos que simulam ocorrências reais. Eles passam por um processo gradual, que começa com socialização, obediência básica e estímulo ao faro. Após, avançam para simulações mais complexas. Durante as atividades, são observadas características como precisão, tempo de resposta e comportamento do animal.

Redação

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